Um certo tom eletrônico
Enviado em 9 de Setembro de 2008
Publicado por srizzo | Enviar por e-mail
| Hits para esta publicação: 886
Regularmente, nos deparamos com notícias sobre a prisão de traficantes de entorpecentes. Há até um certo sensacionalismo por parte da mídia quando ocorre a captura do “mula” – aquele indivíduo que arrisca a própria vida ao ingerir tóxicos para, mais tarde, entregá-los ao receptor –, cuja fotografia é estampada na primeira página dos jornais. Mas dificilmente sabemos o que levou essa pessoa a fazer o que fez ou as ramificações de seu ato. São essas as entrelinhas que “Eletrotorpe” resolve contar ao espectador.
O curta começa pelo fim, com uma mulher pedindo carona a um jovem de classe média saindo de uma rave. As histórias de ambos se cruzam no decorrer da trama, de forma indireta. O rapaz, médico do IML, terá de fazer uma autópsia em um bebê que fora seqüestrado, e descobre pacotes de “ecstasy” em seu interior – a “mula” do caso. Ele, já atrasado para a rave, não pensa duas vezes ao embolsar o conteúdo, cedendo à pressão de sua companheira, que o aguarda impaciente na festa.
Sendo a moça do início, a quem ele cede uma carona, a traficante que usurpa do bebê, percebemos o tom moralista que a história traz. O que poderia ser chamado de irresponsabilidade, de ambas as partes, está bem captado na última cena, em que tanto a traficante fugitiva quanto o usuário andam lado a lado no carro, mostrando que os fins justificam os meios.
A história é, de uma maneira geral, simples. Mas é favorecida pela montagem, que de uma forma eficiente transforma o cotidiano em algo estarrecedor, pela narrativa não-linear. O que chama a atenção é o cuidado com a fotografia nas locações internas, que consegue reproduzir a iluminação desses ambientes festivos. Já nas externas, ocorre até uma mistura de linguagem ficcional com a documental, mostrando os personagens em uma rave verdadeira; ao dançarem no pulsar da trilha – obviamente eletrônica –, nos embalam com suas ações e reações. (Marcelo Santos Costa)
“Eletrotorpe” foi exibido na Mostra Brasil 9.
Ow, vi o filme muito bom…
trilha do caraleo!!!
parabens