O típico filme brasileiro
Enviado em 29 de Agosto de 2008
Publicado por srizzo | Enviar por e-mail
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Estereótipos são freqüentes no universo publicitário e em certo universo ficcional. O filho exemplar, a gostosona burra, o porteiro confuso. Esse tipo de construção de personagens é típico da classificação que a publicidade visa criar para seu público-alvo. Somos todos igualmente únicos. Na publicidade, isso tem seus efeitos “positivos”, pode atingir o consumidor da maneira desejada.
Agora, quando falamos de cinema, é complicado construir personagens baseados em estereótipos. Principalmente pelo índice de realidade que o cinema carrega. É como estabelecer um estereótipo para o “típico filme brasileiro”. Aquele que trata da miséria e da violência de maneira maniqueísta, não aprofunda as contradições existentes no seio da sociedade e estabelece uma visão conformista da realidade. Esse é o caso de “Blackout”, de Daniel Rezende.
O curta conta a história de dois assessores de parlamentares que entram numa sala da Assembléia Legislativa para fumar maconha. Num tom mais para piada do “Casseta e Planeta” do que para um curta-metragem que se propõe a discutir um problema sério do país que é a corrupção, Rezende assume o estereótipo do político corrupto como seu discurso crítico. Além de afastar qualquer reflexão crítica por parte do espectador, esse tipo de construção tende a reforçar o distanciamento da população perante os órgãos de representação da sociedade. Como se fosse inevitável a corrupção na esfera pública, é mais proveitoso cuidarmos de nossas vidas do que nos preocuparmos em garantir transparência nas ações públicas e representantes dignos de serem eleitos.
A utilização do plano-seqüência com a câmera fixa, na maior parte do filme, e sua combinação com o blackout de energia geram uma tensão que se resolve de maneira simplória na explosão do político corrupto. Mais para efeito de impacto do que construção estética, “Blackout” termina reforçando o circo de bizarrices da mídia e disfarçando novamente a piada que o filme é. (Renato Batata)
“Blackout” está na Mostra Brasil 1.
Eu tenho que discordar, adorei o filme de Rezende. É o tipico caso de rir para não chorar, ninguém se arrisca nessa categoria, de fazer um filme sobre política no Brasil e “Blackout” consegue encarar o tema com humor. Os personagens são humanos, têm suas indiosincrasias, mas são humanos. Essa coisa de criticar linguagem publicitária para mim já é papo velho, de criticar Meirelles com a “estética da fome”. De qualquer forma é interessante ver alguém que tenha uma opinião diferente da maioria do público.
Agradeço seu comentário.Mas tenho que discordar.
Na sua colocação parece que o filme possui um mérito, como se fosse arriscado fazer algo que já está presente no imaginário das pessoas, graças à materlação diária da mídia. Arriscado seria mostrar a corrupção que existe no setor privado, nas corporações, nos cartéis que se fortalecem cada vez mais. Ainda mais arriscado seria fazer um filme que discuta a imparcialidade da imprensa. Quem tem culhão p/ fazer isso? Fora é claro, a forma como o filme é construído, que tende a transformar em piada algo que precisa ser seriamente discutido.
Bom se vc diz que esse é o papo velho, então qual é o novo? Reiterar a cosmética da fome?
Eu acho que você está querendo englobar muita coisa, qual é o problema de tratar de política com comédia? Se tem um lado ruim talvez seja a falta de originalidade porque grupos anteriores já o fizeram de maneira brilhante, só porque o tema é sério o filme não precisa ser, isso é muito fatalista. Comentando a cosmética da fome, a minha observação é que fundir linguagens pode ter um resultado bom ou eu fui a única que gostou de Cidade de Deus?
Acredito que essa maneira não é nem um pouco brilhante.É justamente o que comentei acima, usar de uma fórmula já gasta para ganhar o público e se pintar de crítica. A questão não é estabelecer como se deve tratar tal tema. E sim que a forma como foi tratada transforma em piada sem graça algo que não é brincadeira e que merece muito mais atenção e respeito.
Lendo outras críticas sobre os filmes do festival, descobri que não estou sozinho: http://www.cinequanon.art.br/gramado_detalhe.php?id=335&id_festival=60
E sobre Cidade de Deus, bom audiência nunca foi sinônimo de qualidade. Se fosse, novela seria obra-prima.
Bem, apesar do meu gosto cinematográfico ter sido ridicularizado…Ainda acho que esse é um dos propósitos do cinema, criar controvérsias, ainda bem que nem todo mundo gosta da mesma coisa. Gostei do filme de Meirelles e gostei do filme de Rezende, acredito que ambos são pertinentes e que cinema não foi criado para dar aula de moralismo.
Então, pessoal! Não vi o curta, estou passando aqui para dar uma olhada. De qualquer modo, Renato, parabéns pelo texto. Parece justificar muito bem seu posicionamento. Também gostei bastante do título. Achei que voce fosse falar sobre a existencia do típico filme brasileiro; mas aí me surpreendeu e colocou sua visão crítica dos esteriótipos.
Sobre a discussão de vocês acima, não tenho com quem concordar, precisaria ve-lo antes de falar qualquer coisa!
Renatinho, I think you should get a girlfriend. You are taking things to serioulsy in your life. Have wild sex, have fun and make your own film.
Renato
Primeiro li suas criticas…vc realmente tem uma visao tao estreita?…jura?
Quis conhecer melhor o “grande entendedor da setima arte” e entrei no seu blog…Dziga Vertov, Glauber Rocha, Kielowski, Bunuel, Fellini…claro! referencias do “TIPICO DIRETOR (de VIDEO intelectualoide) BRASILEIRO”…e olha que conheci muitos entre a UFRJ e a UFF. Nao que seu idolos nao sejam brilhantes mas, assim como na vida, no cinema precisamos subverter, copiar, alterar, criar…EXPERIMENTAR!!!. Faça a sua parte, assista a filmes como O Balconista do Kevin Smith, Jogos e Trapaças do Guy Ritchie, Tron do Lisberger, PI do Aronofsky e, porque nao, a trilogia de Indiana Jones (pode pular a Caveira de Cristal)…não leve tudo tao a serio…expanda seus horizontes, vc sera uma pessoa bem mais “completa” e entendera muito melhor o cinema!
PS: onde podemos assistir a sua maravilhosa obra?
É lamentável a preferência de alguns em se “discutir” pessoas num ambiente que se propõe a discutir idéias.
É engraçado que esse tipo de postagem sempre aparece em discussões mais acaloradas sobre cinema brasileiro em fóruns na internet. O primeiro artifício usado é tentar desviar a crítica feita ao filme para a pessoa que a escreveu. Como se o problema fosse de certa “classe de intelecualóides”, estudantes ou não que tentam pensar e refletir sobre o cinema. O segundo artificio é acusar quem escreveu a crítica de ter um universo limitado de filmes. Isso tudo sem ter o mínimo de conhecimento sobre quem escreveu o texto (mesmo que tivesse, esse tipo de comentário não merece ser levado a sério).
Quem quiser discutir o filme e a crítica feita por mim terá sua resposta.
Buenas…então…
Renato
“indice de realidade que o cinema carrega”?…ãh?! Como assim?
Vc realmente acredita que 10 minutos são suficientes para se aprofundar “nas contradições existentes no seio da sociedade”? Em que pais vc vive? Faça uma sugestão ao diretor…BLACKOUT II! Talvez no episodio 5000 consiga-se apresentar todos os “meandros” da política nacional.
Talvez vc nao tenha entendido, não são esteriótipos, são seres humanos que tem suas fraquezas e medos, fumam maconha depois do expediente, fazem malabarismo para viver no (e do) “sistema” brasileiro. Assim como os médicos viciados em drogas ou os pilotos de avião que bebem uma dose de whisky antes (ou durante) o voo, existe um número “bastante” consideravel de politicos não muito bem intencionados (excluindo os Suplicys da vida) no Congresso Nacional…fica dificil separar o joio do trigo (infelizmente)…os “poucos” acabam pagando pelos “muitos”. Se fizermos uma retrospectiva sobre nossos congressistas garanto que teremos poucos motivos para rir.
Vc acha que o cinema tem a “obrigação” de ser questionador? Penso que o “questionador deva ser o espectador…aquele que assite a algo e que entenda as metaforas do que lhe foi apresentado…que reflita…quanto mais “mastigado” mais pobre.
PS: vc assitiu aos filmes que te recomendei?