Em busca da liberdade
Enviado em 29 de Agosto de 2008
Publicado por srizzo | Enviar por e-mail
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A diretora Ana Gaitán Rocha faz seu público ter uma explosão de sentimentos com “Dramática”.
O leve caminhar da moça vestida totalmente de branco, sem nenhuma expressão em seu rosto e olhar perdido pela cidade, descreve o cidadão brasileiro em busca de algo na sociedade que possa completá-lo.
Caminhar pela metrópole é a maneira que ela encontra para um despertar, e repentinamente contempla-se em um carnaval de rua acompanhada com um rapaz da periferia da cidade.
A trilha sonora envolve a platéia, os olhares se fixam na grande tela e naquele calor humano do carnaval um sorriso surge nos lábios da linda moça de branco — do cidadão brasileiro.
Na multidão carnavalesca, com o calor do corpo a corpo, seu rosto agora resplandece alegria com suas gargalhadas e seu “esfregar” no rapaz da periferia, e por um impulso… Um beijo ardente nos lábios daquele desconhecido rapaz!
Ano após ano a sociedade brasileira vive está realidade: “olhares tristes e perdidos a vagar pelas ruas em busca de maiores alegrias na vida”. Porém no carnaval o desejo carnal aflora e nada mais tem importância além da passageira diversão.
Em paralelo, o curta faz uma reflexão sobre a política sempre presente na história brasileira; nos encontramos em um roteiro que cruza as alegrias da carne e a revolta humana através do senhor em plena praça pública a berrar sobre direitos e politicagem. Ao seu redor, forma-se um círculo de cidadãos que ficam parados, apenas curiosos para ver um “louco” gritando.
Sem perspectivas futuras ou demonstração de garra, o público assiste a uma cena de manipulação, pois naquele momento esta no centro da Praça Pública o casal que se beijava ardentemente, porém agora encontrava-se o rapaz em revolta apontando uma “arma” para a cabeça da linda moça de branco e o “senhor da politicagem” bradava: “atira, atira, atira….”.
Retrato “nu” da sociedade que vive em constantes e momentâneas alegrias, manipulada pelos políticos que mudam rapidamente de posições e opiniões. E o resultado desse “drama brasileiro” é a revolta perdida dos cidadãos descrita na cena final com a linda moça correndo pelas ruas e a gritar, como se clamasse pela liberdade. (Tatiana Redígolo)
O curta “Dramática” está na Carta Branca ao Submarino Vermelho.