Kinoforum Crítica Curta 2008

Oficina de crítica do 19º Festival Internacional de Curtas-metragens de SP

É comum conhecermos pessoas com alergias das mais diversas. Plantas, animais, alimentos, quase tudo pode desencadear uma alergia. E pessoas? É sobre isso que trata “Raízes Ocas”, de Francisca Olaeta e Diego Riquelme. Um pai obsessivo mantém sua filha sob um duro regime e só possui olhos para sua orquídea. A filha cuida de um coelho com muito carinho. O pai tem alergia ao coelho, a filha à orquídea. Essa relação é que vai nortear o desenvolvimento do filme.

Construído de maneira habilidosa, o filme demonstra o conflito entre pai e filha através de pouquíssimos diálogos. Isso reforça a fria relação existente entre os dois personagens, além de ser sempre fascinante assistir a filmes que privilegiam a imagem ao invés do diálogo. “Raízes Ocas” é daqueles filmes que por mais que você já preveja o desenrolar da estória, algo novo aparece. O conflito entre os dois personagens se desenrola e fica cada vez mais grave. O personagem do pai é obsessivo por limpeza, usa luvas, adora a simetria. Já a filha tem medo do pai, se corta, quer proteger o coelho a qualquer custo e de repente se vê na mira de uma espingarda empunhada pelo próprio pai.

Essas raízes ocas que a sociedade contemporânea constrói podem se transformar na ruína do que conhecemos por relações humanas. O curta chileno nos alerta para o distanciamento dos relacionamentos das pessoas, que muitas vezes dão mais importância para bens materiais ou obsessões pessoais do que para outros seres vivos. A partir disso, o curta abre espaço para reflexão não só sobre relações familiares, mas também sobre nosso papel como agentes nessa sociedade de raízes ocas. (Renato Batata)

“Raízes Ocas” está no programa Latinos 3.

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