O gato e o canário
31 de Agosto de 2007 às 18:50 srizzo | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 2121
Imagine Guimarães Rosa subindo em árvores. Ou Machado de Assis ronronando em seus pés. E por que não Eça de Queiroz fazendo suas necessidades em caixas de areia? Escritor quando morre vira gato. Essa é a premissa de “Sete Vidas”, curta divertido sobre a vida de um gato que possui autonomia para escolher seu dono.
Para isso, mede prós e contras de sete candidatos. Entre os prós, encontram-se orgia, boa música, comida e conforto, entre outros. Contra: excesso de carinho, possibilidade de abandono e violência. Os sete possíveis donos são ligados pela solidão, que surge por diferentes formas e fatores para cada personagem: idade, loucura, arte, trabalho e até mesmo opção. O gato, também permeado pela solidão, acaba escolhendo aquele com quem mais se identifica. E que também logo possa acompanhá-lo.
“Em Flor” é outro curta que pode ser visto sob essa mesma perspectiva homem-animal-solidão. Como o gato de “Sete Vidas”, o canário de “Em Flor” possui autonomia. Talvez não a mesma autonomia racional como tem o gato, mas algo mais instintivo e natural.
Enquanto o gato escolhe seu dono, o canário é escolhido por um garoto que quer vê-lo cantar. A frustração é a linha que liga as tentativas do garoto e o silêncio do pássaro. O curta então se bloca em etapas. Faz do quintal da casa do menino e da loja de animais um eterno vaivém. A persistência da criança faz suas tentativas tornarem-se mais desesperadoras. A essa altura, todos queremos ouvir o pássaro cantar; nos identificamos com o garoto. Estamos dentro do filme. O cinema cumpre seu papel.
Silêncio. Aplausos. (Gustavo Forti Leitão)
“Sete Vidas” está no Panorama Brasil 2; “Em Flor”, no Cinema em Curso 3.
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