“Metade dos alunos da FAAP mora em Alphaville”
31 de Agosto de 2007 às 19:07 srizzo | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 2307
Abaixo, entrevista com Paulinho Caruso, diretor de “Alphaville 2007 D.C.”.
Blog - Fale um pouco sobre você e por que escolheu o cinema.
Paulinho - Tenho 23 anos. Nasci na Vila Madalena, em São Paulo, onde vivo até hoje. Estudei cinema na FAAP, também aqui em São Paulo, e na Film Academy em Nova York. Acho que tenho uma tradição familiar da caricatura e dos quadrinhos e, como eu não levo muito jeito para desenhos, o cinema foi a minha forma de expressão. Na verdade, acho que faço quadrinhos em película.
Blog - Como avalia a sua participação no 18º Festival e qual a importância do evento?
Paulinho - O filme foi realizado para este festival. Eu acabei o exibindo em outros festivais, mas inicialmente o meu intuito foi passar para o grande publico de São Paulo. O filme discute questões paulistanas: habitação, urbanização, nossa condição social e a forma com que lidamos com a violência. Todas essas questões e como isso resulta na forma habitacional da cidade. Eu queria propor essa discussão pra São Paulo, mais do que em outro lugar do Brasil.
Blog - O Festival atinge um publico de universitários e profissionais da área de comunicação, além de pessoas de classe social alta. Quando você realizou o curta, teve a intenção de “cutucar” esse público? Ou de causar um sentimento de incômodo? Você pensa em passar o seu curta para um público de outra classe social?
Paulinho - Bem, o filme foi feito aqui na FAAP, que é o antro da população de Alphaville. Acredito que metade dos alunos da FAAP mora em Alphaville, era bem bizarro. Foi uma realidade com que eu tive que conviver muito. Tinha que ir para Alphaville direto para fazer trabalhos da faculdade e ver aquele mundo bizarro. Então, ele sair daqui do Festival de São Paulo nada mais é do que uma extensão de onde o filme surgiu e para as questões que ele foi criado. Eu já tenho convites de passar o filme em periferias e sem dúvida é o que eu quero neste momento. O filme tem algo de que eu gosto muito, ele discute com todas as classes e culturas. Se o cara que está assistindo não entende nada de cinema, ele vai achar o filme engraçado. É um filme que funciona para ser discutido com todos, não só com a galera que entende de cinema.
Blog – Por que você usou a frase “este mundo vai explodir”, de “O Bandido da Luz Vermelha”?
Paulinho - Acho que o Sganzerla é um visionário. Este filme foi um trabalho de conclusão de curso e envolve todas as referências discutidas nos quatro anos de faculdade. Entre elas, a mais importante foi o Sganzerla. Outra foi o Godard e também o Glauber, mas essa não entra nesta discussão. O Sganzerla tinha uma visão de que o terceiro mundo iria explodir e que eu acho que continua até hoje. A bomba só está aumentando, o pavio está ficando cada hora mais curto. Uma hora explode tudo e quem estiver de sapato não sobe.
Blog - Qual a sensação de ver o público aplaudir seu curta?
Paulinho - Acho que isso faz parte de o filme não ser chato e ao mesmo tempo ser crítico. É um filme que agrada qualquer tipo de público. Por mais que o cara viva em Alphaville e o caralho, ele vai se sentir questionado a respeito dessa opção. Acho que ele foi produzido dessa forma, eclético em formas cinematográficas, e resulta em maior aceitação do publico. Estou bem feliz, a reação até agora tem sido ótima. Em todas as sessões a que eu fui, o pessoal adorou.
(Tatiana Redígolo)
“Alphaville 2007 D.C.” está no Panorama Brasil 9.
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