O que nos resta quando temos como amiga, talvez a única, uma tartaruga? E o pior: a tartaruga resolveu também sumir, deixando-nos com um imenso vazio.
“Parabéns”, de Gero Camilo e Gustavo Machado, é uma pequena pérola sobre os descaminhos humanos que nos levam à solidão.
Câmera na mão, ângulos inusitados, closes distorcidos, interpretação no limite (ora a personagem parece à deriva, ora em pleno surto) nos remetem a uma sensação claustrofóbica de angústia. Angústia causada pela solidão. Solidão que não é explicada, mas vivida e, repetidamente, anunciada e marcada para o telespectador.
Com poucos diálogos e muita ação física, vemos uma mulher deteriorando-se no dia do seu suposto aniversário. Ninguém a procura e ela também não procura ninguém. Está em casa, (re)vivendo todos os seus horrores enquanto, quase insanamente, procura por sua tartaruga que, misteriosamente, fugiu do casco.
O que faz essa mulher ser tão sozinha, ou até pior, o que ela fez para que todos a esquecessem, principalmente no dia do seu aniversário? O que fazemos da nossa vida para estarmos sozinhos, mesmo que muitas vezes acompanhados por multidões?
“Parabéns” é uma pequena parábola sobre uma característica humana que causa dependência: o homem é um ser gregário. Vive em grupo e precisa de outros para poder continuar caminhando, mesmo que a passos de tartaruga. (Maurício de Carvalho)
“Parabéns” está no Panorama Brasil 6.
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