Kinoforum Crítica Curta 2008

Oficina de crítica do 19º Festival Internacional de Curtas-metragens de SP

Ter atores da Companhia do Latão no elenco já é motivo suficiente para que “Um Ramo”seja mencionado. Além de trazer atores de um grupo que representa o que há de melhor no teatro contemporâneo brasileiro, Juliana Rojas e Marco Dutra já provaram que vieram para ficar. Foram para Cannes e trouxeram o Prêmio Descoberta Kodak na Semana Internacional da Crítica. A atmosfera morna na qual foi recebido esse filme no MIS (Museu da Imagem e do Som) talvez seja um sintoma das preferências do público por emoções fáceis. “Um Ramo” não é fácil. A estranheza na temática, na opção de câmeras e no ritmo em que se desenrola a história passa longe das manipulações emocionais tão freqüentes na produção audiovisual hoje.

O material básico desse filme é o ser humano. A quase ausência de diálogos em muitos momentos causa constrangimento, mas esse silêncio não tem a função de afastar o público, pelo contrario, propicia a reflexão de uma situação absurda e extraordinária. Nada é extraordinário na vida da personagem. Os planos enfocando impiedosamente suas expressões revelam mais do que as palavras. O discurso é secundário, as ações são o que importa.

Como tratar com naturalidade o fato de haver madeira e folha crescendo pelo corpo? A personagem consegue. Tentando esconder, ela revela a força de ser mulher; ela é dona de casa, profissional, amante e mãe, tem que manter tudo sob controle, precisa cuidar do filho, não pode privá-lo de seus cuidados. O tratamento médico da aberração que ocorre em seu corpo é ocultado dos que a cercam. Ela é importante demais em seu microcosmo de existência para admitir que possua um problema; ela é a que cuida, não podem cuidar dela. (Ana Mesquita)

“Um Ramo” está no Panorama Brasil 1.

4 comentários para “ Cinema sem manipulações emocionais ”

  1. Ei Anita!!!

    Gostei dessa sua crítica! A análise vai mais além do que simplesmente a “estética” que as pessoas costumam gostar em um filme. É isso aí!

    Beijos, “mina do movimento”.
    Márcia Correia.

    Márcia Correia

  2. É uma pena que esse tipo de filme brasileiro, feito no Brasil, não tenha grande repercussão aqui. Se fosse um filme francês, o que ele me lembra bastante, ou de qualquer outra nacionalidade européia, com certeza seria uma grande sensação no festival. Mas parece que aqui nós temos que lidar somente com questões políticas e socias. E o indivíduo e a poesia que é possível criar em torno dele ficam em décimo plano.
    O que mais me chama atenção é a sutileza com que o assunto foi tratado, as metáforas que são construídas em torno do fato de crescer folhas na mulher e como a estética, que ópta por quadros limpos, com poucos obejtos em cena, ajuda na construção e na centralização da importância da personagem como material básico.

    Talita

  3. Belo olhar Ana! E de pensar que tanta gente perde tempo discutindo questões relativas à ecologia e meio ambiente, ou surrealismo e terror no filme. Parabéns pela originalidade e olhar expandido!

    Renato Gomes

  4. Assisti “Um ramo” na mosta de curtas.
    Surrealismo ? Bem hoje li a notícia abaixo e achei incrível….
    na hora lembrei do curta.
    Marcos Durta ( é o diretor se não me engano….)e a atriz principal Juliana…
    leram esta notícia ???

    Quarta, 19 de setembro de 2007, 16h18
    Folha de grama cresce em pulmão de bebê chinês

    Médicos chineses se espantaram ao encontrar uma folha de grama se desenvolvendo no interior do pulmão de um bebê. De acordo com o diário online Ananova.com, a folha estava no pulmão de uma menina de 10 meses da cidade de Zhoukou, na província de Henan, e foi descoberta após ela ser internada com sintomas de penumonia.
    Como a medicação não fez efeito, os pais decidiram transferir a menina para o hospital universitário de Zhengzhou, a capital da província. Lá, a menina foi diagnosticada com piopneumotórax, uma rara complicação da pneumonia. Mas novamente o tratamento não surtiu efeito.

    A equipe de médicos deicidiu então submeter o bebê a uma cirurgia. Foi quando o cirurgião Li Qun encontrou um pedaço de grama de 3 cm crescendo no pulmão direito da criança. A folha foi removida e a menina está se recuperando bem, segundo a equipe médica.

    Seus pais afirmaram que a folha é semelhante ao tipo de grama que eles tem num jardim de casa no qual a menina geralmente brinca.

    Em comunicado, os médicos afirmaram que é possível que uma semente de grama tenha entrado nas vias aéreas do bebê e tenha encontrado um ambiente adequado para se desenvolver no pulmão humano. Entretanto, o boletim destaca que os médicos “nunca viram algo parecido antes”.

    Redação Terra

    Helma

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