Em 2005, Kleber Mendonça Filho caiu nas graças da crítica e faturou prêmios e elogios com seu filme “Eletrodomésticas”. A dona-de-casa controlada por uma rotina envolta em máquinas de todo tipo fundia-se aos eletrodomésticos do seu apartamento no filme de dois anos atrás. Neste ano, seu novo curta, “Noite de Sexta, Manhã de Sábado”, também vem impressionando. A sala lotada da sessão Panorama Brasil 1 arrancou aplausos do público. Após a sessão, o diretor ainda respondeu perguntas da platéia sobre as filmagens do curta.
Trata-se de uma história bem construída entre dois personagens distantes. Ele está em Recife e ela na Ucrânia. Os dois buscam uma forma de entrar em contato um com o outro, e a conversa dos dois por telefone vai revelando um diálogo delicado sobre o casal sem pormenorizar a questão que os separa. A forte união dos dois vai sendo construída a partir de elementos visuais tais como o sol e o mar. O mesmo sol e o mesmo mar vistos do outro lado do mundo, a mesma água que toca os dois países, a mesma luz que pode ser vista de todos os cantos do planeta. A sensação dos pés tocando a areia e as lembranças de quando estiveram juntos. O diálogo constrói a história desses dois personagens que tentam uma proximidade momentânea frente à distância física que os separa.
A restrição do tempo imposta pelo curta não impossibilitou o diretor de alongar conversas, esticar o tempo. O filme flui em seus diálogos. A câmera na mão dá a imprecisão certa diante da precisão da conversa dos personagens. Tudo com muita simplicidade. (Bruno Logatto)
“Noite de Sexta, Manhã de Sábado” está no Panorama Brasil 1.
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