Kinoforum Crítica Curta 2008

Oficina de crítica do 19º Festival Internacional de Curtas-metragens de SP

Pequeno conto de horror formado por planos próximos e fragmentários, que no decorrer de oito minutos compõem uma geografia da morte. “Rotina” narra a vida de um homem que vive com a mãe, doente e de idade avançada. Para eles, todos os dias são iguais. Ele chega em casa do trabalho, liga a TV, que fica em frente à poltrona em que sua mãe sempre está sentada, limpa as fraldas dela, deixa no chão um prato com veneno em farinha para ratos, faz um mingau com leite e levanta do chão a mãe, que sempre se arrasta debilmente em direção ao veneno.

O apartamento que ambos dividem é mórbido e abandonado. O convívio com a sujeira chega a seu limite quando um rato tentar subir pelas pernas do protagonista. Ele se assusta e deixa cair o jarro de leite que usa no mingau. A partir daí, o filme deixa claro que a rotina a que o título faz menção não é a dos gestos e atos, mas do pensamento. Os eventos que sucedem à queda da garrafa mudarão os hábitos do protagonista, porém não mudarão seu estilo de vida, nem seu cotidiano de morte.

“Rotina” faz comentário bem feito à tal da “morte em vida” que muitos levam. Mas é um filme de horror que, apesar de possuir ótima foto, trilha e atuação, não trata com relevância a potência de horror de seu próprio tema. (Marcos Piovesan)

“Rotina” está no programa Latinos 4

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