O documentário “Mataram meu Gato” começa muito bem. O tema parece ser polêmico! Ex-moradores de uma favela do centro do Rio de Janeiro falam sobre como foram expulsos da região. Um incêndio criminoso os obriga a ir para uma área afastada, chamada Nova Holanda. No antigo local, é construído um conjunto habitacional para a classe média.
Um contraponto feito na edição entre a versão dos moradores e a versão oficial, divulgada pela grande imprensa em telejornais da época, dá um tom crítico ao filme. Até aí tudo vai muito bem.
Mas um clima conformista passa a tomar conta do documentário. Um dos entrevistados chega a dizer sobre o incêndio criminoso: “É o custo do progresso”. A crítica, antes bem construída, dá lugar a um lado sentimental. A escola de samba Mataram meu Gato, título do filme, passa a ser o foco principal do curta. A abordagem inicial não é mais retomada.
Critiquei há alguns dias o filme “O Mostro” no texto “‘O Monstro’ e ‘O Progresso’” aqui no blog. Nesse caso, a visão de progresso dos grandes centros foi colocada em questão. O trem que vinha da cidade grande passava pela cidade pequena e atropelava o sossego de seus habitantes. Em “Mataram meu Gato”, a visão de progresso e a ambição das classes média e alta mandou os moradores de uma favela do centro para bem longe.
O filme não deu lugar para revolta e indignação; acabou sendo passivo e conivente diante de uma situação de miséria, observando a cultura popular local, fruto da exclusão e da desigualdade, com um olhar folclórico. O contraponto traçado com a grande imprensa no começo do filme foi esquecido. Com um ótimo material para edição, mas sem um direcionamento, o filme se perdeu. (Bruno Logatto)
“Mataram meu Gato” está no programa Curta o Formato Brasil 1
Aí crítico,
acho que vc não entendeu o filme e o criticou como o filme que vc quis fazer e não fez.
Rodrigo
10 Nov 2006
Opa!
Rodrigo não é pessoal…
Julia
24 Ago 2007