“Teoria da Paisagem”, de Roberto Bellini, nos mostra somente céus e natureza. Em off, ouvimos uma conversa incomum entre o personagem-diretor, que segura a câmera, e um habitante da região filmada, que pede que ele não filme o céu.
Em resposta à óbvia pergunta de “por quê”, o morador diz que é para não incomodar. Argumenta-se que vai filmar pássaros, mas nada adianta. Alguém pode ver, e isso incomoda. O morador local diz inclusive que algumas pessoas foram presas por isso.
Logo, o ato de olhar a natureza vira uma transgressão. Cada nova paisagem mostrada parece fruto de voyeurismo e de rebeldia infratora. Um pôr-do-sol aparece rapidamente, e logo a imagem é cortada, como se nosso olhos pudessem feri-lo. Não só a paisagem vira algo raro e precioso, mas digno de respeito.
Em apenas três minutos, o filme nos propõe interpretar aquelas imagens gastas de um outro jeito, dando-lhes um novo valor e questionando nosso olhar mais automático, mais comum. E isso não é pouca coisa. (Bruno Carmelo)
“Teoria da Paisagem” está no programa Curta o Formato Brasil 4
Deixe uma resposta.