Um filme muito simples chamou a atenção no programa Curta o Formato 4. Trata-se de “A Lente e a Janela”, de Marcius Barbieri. Praticamente silencioso, ele volta-se à imagem, e à descoberta da mesma por uma garota que ganha uma filmadora dos pais.
Inicialmente, a protagonista experimenta zoom e foco, filma cenas familiares. Logo, no entanto, encanta-se com a vista de sua sacada, algo que já lhe era disponível sem a câmera, mas que agora parece se apresentar como novo.
Ao começo de imagens aleatórias e sem rigor de enquadramento e composição, pertinente ao olhar infantil ainda não completamente educado no audiovisual, o filme começa a esboçar timidamente uma história, através de uma família de sem-tetos que mora em um jardim em frente ao prédio da garota.
Ela aos poucos filma as pessoas, suas ações diárias. Conhece através da lente essas pessoas que antes não lhe chamavam a atenção. E um dia descobre que eles partiram. Sai então até o parque, e tem pela primeira vez contato direto com os restos simbólicos da passagem daquelas pessoas pelo local. Os objetos deixados no gramado são filmados com calma e atenção.
Da vista de dentro de casa, a garota descobre algo que só a câmera pode oferecer. E parte para olhar aquilo que sempre esteve à disposição de seus olhos. Filme simples, com uma metáfora belíssima da transformação que o cinema pode causar na vida de alguém. (Bruno Carmelo)
“A Lente e a Janela” está no programa Curta o Formato 4
Por falar nisso onde será a cerimonia de encerramento?
obrigado
Cleber
01 Set 2006