Kinoforum Crítica Curta 2008

Oficina de crítica do 19º Festival Internacional de Curtas-metragens de SP

Dois filmes do programa Curta o Formato Brasil 4 chamaram atenção por serem documentários com uma questão peculiar em comum.

O primeiro, “Barbie Problemas da Vida”, foca uma garotinha com questionamentos político-sociais em uma profundidade atípica para crianças de sua idade. Ela transforma suas Barbies em seres feios e temáticos: Barbie do Iraque, Barbie Drogada, Barbie Mendiga. O segundo, “Negro e Argentino”, explora a história pessoal do diretor, nascido em uma família preconceituosa.

Ambos despertaram risadas e impressionaram pelo interesse nos objetos de estudo. Eram, de fato, pessoas e histórias inusitadas. Os dois filmes são curtos e, logo que mostram qual o interesse de seus objetos, terminam.

Por fim, embora vários tenham se impressionado, acabamos vendo filmes fracos. Os dois tentavam fazer com que a qualidade do objeto de estudo se transferisse ao filme, como se a mera apropriação de algo de interesse fizesse uma obra interessante — como todos os filmes que se apropriam de cenas comuns e tipicamente belas (pôr-do-sol, flores etc.) na intenção de que seus filmes fiquem, por conseqüência, belos.

Apropriar-se de um objeto instigante em um documentário não basta. O diretor deveria antes criar beleza, interesse, e não tentar se apropriar deles. A beleza e o interesse são artificiais na medida em que vêm de um desenvolvimento do autor, não podem ser encontrados prontos na natureza. Nada existente no mundo deveria ter valor em si, as coisas só ganham valor nos olhos de quem as vê. (Bruno Carmelo)

“Barbie Problemas da Vida” e “Negro e Argentino” estão no programa Curta o Formato Brasil 4

Um comentário para “ Os belos objetos de estudo ”

  1. Nao entendi muito bem. As criticas sao dirigidas a qual dos filmes? Ou acha q ambos se igualam perante as criticas? O que o fez pensar, Bruno Carmelo, q quis apropriar-me de um instigante? Para mim, o relatar era o importante, o alvo. Acho q o foi atingido com exito, o relatar.

    Yan Whately

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