O curta “Manual Para Atropelar Cachorro”, de Rafael Primo, tem estética relativamente comum: um tratamento pop em músicas, ritmo despojado e uma certa linguagem adolescente que faz o filme parecer um tanto leve. Quem visse o filme sem som poderia pensar até que se trataria de uma comédia qualquer. Mas o roteiro surpreende e nos apresenta um personagem muito especial.
Já discutimos anteriormente a tentativa de se mostrar o “homem comum” quando falamos sobre “Rapsódia Para um Homem Comum”. Naquele caso, a busca se dava através de um naturalismo que pouco convencia por tentar “embutir” complexidade em gestos gastos. O filme de Rafael Primo, por sua vez, faz outro caminho: pega uma metáfora improvável para que ela reflita o homem, tal como ele o vê.
De modo plenamente irônico, nosso protagonista bacana vai se mostrando, aos poucos, um sujeito racista, misógino, homofóbico e representante de vários outros preconceitos. E de noite, para relaxar, atropela cachorros. E, por incrível que pareça, não desperta raiva, não se torna vilão.
Trata-se de atrocidades que não costumamos ver no dia-a-dia, mas que refletem um pensamento vigente. É assustador suspendermos nosso senso moral ao não condenarmos um homem que parece estranhamente íntimo de nós. Constrói-se um bom reflexo da perda de valores e do tédio moderno através da banalização de algo que parece tão cruel. Enfim, um homem muito próximo do comum. (Bruno Carmelo)
“Manual Para Atropelar Cachorro” está no programa Panorama Brasil 8
bruno, obrigado pela critica inteligente e de tão bom gosto. Fico feliz quando pessoas como você gastam o tempo falando sobre nosso filme. Obrigado pela atenção e pela sensibilidade.
abraços
Rafael Primo
Rafael Primo
11 Set 2006
Não vi o filme, mas espero de todo coração que ele não incite a violência contra os animais. Embora ache que o filme discute um tema interessante, penso que deveria ser abordado de outra forma e não através da violência contra os animais. E sem ter visto o filme, de antemão digo que nunca vou achar esse protagonista alguém normal, do qual eu absolva seus atos…
verônica
21 Nov 2006