E eu, que pensava que este festival era de cinema, me deparo com “Dormente” e percebo que: ou me enganaram, ou passaram a aceitar inscrições de trabalhos de vídeo-arte. Chamaram-no de “experimental”, mas a isso subentende-se experimentar alguma coisa, uma estética, uma narrativa, o que não é o caso.
Aqui, só se experimenta mesmo a trilha sonora, que tenta dar algum movimento – que não a câmera lenta – de verdade às imagens. Mas continua mais para vídeo-arte do que para cinema. Ou talvez seja eu quem não saiba nada de cinema e muito menos de cinema experimental. Ou talvez tenham mesmo me enganado e “Dormente” é vídeo-arte. Alguém me ajuda? (Thomás Marques Silva)
“Dormente” está no programa Curta o Formato Brasil 2
Faz um ano que vi esse curta. Me lembro de uma rigorosa experimentação sobre distância e movimento que toma uma pesada composição ferroviária através de uma cidade adormecida, cativando sentidos sensórios dessa maquinaria vivente e trepidante de forma que só o cinema pode fazer, no mínimo devido à fotogenia que é mobilizada. Se não é cine, então cine pra quê?
Caio
03 Set 2006