Kinoforum Crítica Curta 2008

Oficina de crítica do 19º Festival Internacional de Curtas-metragens de SP

A sessão da qual “4:48 AM” faz parte foi uma grande surpresa para aqueles que puderam acompanhá-la. Primeiro porque viram um grande filme, capaz de inquietar, de refletir sobre a rotina, sobre pequenos atos, enfim, sobre a vida de cada dia. E, segundo, porque o diretor do filme, Cristiano Burlan, estava presente à sessão e brindou os espectadores com algumas pérolas do pensamento cinematográfico.

O filme começa com um longo plano de um homem acordando às 4:48 AM em seu quarto. E ponto. Durante alguns minutos, isso é tudo o que vemos: um homem acordando, tossindo, fumando, indo ao banheiro, se despindo, trocando de roupa e tudo o que um homem faz no intervalo entre despertar e sair de casa. Não é documentário, não é cinema-verdade, é apenas representação da realidade no cinema de autor. E cinema sincero, porque não engana o espectador com interpretações “pseudo profundas” e planos clichês, mas com emoção, emoção do dia-a-dia, da angústia da rotina, do massacre do trabalho, da vida que nos levam a levar enquanto achamos que a levamos. Um grande filme.

Mas o melhor ainda estava por vir. Ao ouvir perguntas dos espectadores, Cristiano expôs um pouco do seu pensamento cinematográfico ao criticar o processo de interpretação superficial imposto pela televisão (principalmente a Rede Globo). Depois, deu um tapa nos pré-conceitos de muitos presentes à sessão ao afirmar que não sabia que filmes deveriam passar mensagens e, quando ouviu críticas sem sentido sobre como deveria ter realizado “4:48 AM” (tem cabimento a petulância de um espectador dizer a um diretor como ele deveria ter montado seu filme?!), saiu-se com uma das melhores respostas que já ouvi na vida: “Faço meus filmes para mim, não para você!”. Dito isso, o autor da pergunta engoliu em seco, a sessão de perguntas foi finalizada, eu saí da sala com a impressão de que o filme era agora melhor do que cinco minutos atrás e com a certeza de que era uma obra boa demais para um público que não estava à altura. (Thomás Marques Silva)

“4:48 AM” está no programa Curta o Formato Brasil 2

2 comentários para “ Pérolas aos porcos ”

  1. Quanta pretensão, do diretor e do crítico…

    Sbafz

  2. De onde se origina a expressão? De Shakespeare? Qual obra?
    Obrigado.

    Emerson

Deixe uma resposta.