Kinoforum Crítica Curta 2008

Oficina de crítica do 19º Festival Internacional de Curtas-metragens de SP

“Sketches”, de Fabiano de Souza, lembra muito o longa-metragem “Cubo”, no qual várias pessoas também acordavam em um ambiente sem saber como tinham parado lá. Lembra também o sadismo gratuito de “Jogos Mortais” e a violência de Quentin Tarantino.

A influência do cinema norte-americano é visível, a começar pelo título em inglês que já sugere fragmentação. E, em estilo devidamente cortado, mostra-se o embate entre dois encarcerados. Eles gritam um com outro, falam rápido e alto. Ameaçam se comer literal e sexualmente. Qualquer frase é necessariamente proferida como um confronto; o diretor parece não acreditar muito em silêncios ou sutilezas.

A seqüência é um embate fetichista de vários itens polêmicos dentro do cinema: a relação com drogas, o sexo (”você nem sabe enfiar o pau” e várias outras frases do tipo, algumas inclusive proferidas por uma criança), brigas. Na ausência de um gênero definido, tenta-se tê-los todos.

Paulo Emílio Salles Gomes dizia, já na década de 60, que seria cada vez mais comum os filmes tentarem sobrepor elementos para que a tensão entre eles fosse exponencializada. Assim, um filme de terror poderia juntar lobisomens, vampiros e bruxos numa mesma produção para tentar despertar um medo “três vezes maior”. Vários longas recentes, como “A Liga Extraordinária” e “Freddy vs. Jason”, tentaram explorar essa idéia, sem muito sucesso.

“Sketches” aparenta acreditar na mesma lógica. Todos os elementos de um filme de ação pulsante estão lá, menos o contexto que lhes conferiria sentido. Em seu curto tempo, o filme torna-se cansativo e não explora bem nenhum dos vários itens postos em jogo. (Bruno Carmelo)

“Sketches” está no programa Panorama Brasil 4

2 comentários para “ A teoria da exponencialização ”

  1. Vi este filme e confesso que fiquei muito confusa, esperava que o diretor me clareasse um pouco, mas ele disse que não sabia direito o que representava…cada um com a sua. Boa Bruno!

    Nati e o niilismo

  2. Mais um parágrafo!

    Laura

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