Às vezes eu me questiono sobre o futuro do audiovisual. Acompanho vários festivais de curtas e longas-metragens ao longo do ano e percebo, como em tudo na vida, que há coisas boas e ruins.
Eu só me pergunto quando vejo alguns produtos que não podemos entender a que vieram. É o caso de “Maria, Ana Maria, Mariana”, realizado após receber o prêmio de fomento à cultura com o seu roteiro. Das duas, uma: ou o roteiro é muito bom, mas a adaptação à tela não conseguiu desenvolvê-lo a ponto de transferir toda a mensagem a que o roteiro se propunha, ou eu não entendo como funciona a escolha para os prêmios. Vejo muitos curtas feitos de modo caseiro, sem quase nenhum custo, de qualidade e roteiro fenomenais, e outros com toda uma estrutura que não conseguem transmitir qualquer coisa.
A idéia parte de um pressuposto interessante: uma menina é deixada pela mãe, militante política, na casa de sua avó. Comum até o ponto em que a menina não sabe falar português, pois nasceu e cresceu na Alemanha, e a avó não fala alemão. Mas, infelizmente, a inovação pára por aqui.
Desenrola-se uma história insossa, em que o maior trunfo é a presença, como a avó, de Aracy Cardoso, que traz um pouco de luz ao filme. Fora isso, nada a dizer, apenas um curta confuso, com a constante presença da chuva. (Larissa Paschoal)
“Maria, Ana Maria, Mariana” está no programa Panorama Brasil 7
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