Kinoforum Crítica Curta 2008

Oficina de crítica do 19º Festival Internacional de Curtas-metragens de SP

Um acidente de trem, várias pessoas mortas, quem é o responsável? Com esse mote, Eduardo Valente conduz seu novo curta. Inicialmente, lembrei-me de “O Doce Amanhã”, de Atom Egoyan, no qual um acidente também despertava a fúria justiceira de um advogado, e várias questões morais eram levantadas.

Mas o universo aqui é outro. O filme de Egoyan tinha a moral como tema, enquanto “O Monstro” utiliza a moral para questionar as aparências.

Um problema, no entanto, é não envolver o espectador em nenhuma das duas partes que compõem o conflito moral. O filme não cria identificação nem com a vítima (a cidade, os familiares dos mortos), nem com o suposto monstro do título.
Logo, assiste-se ao embate sem refletir sobre ele. O curta acaba se responsabilizando, sozinho, por criar o problema, criar a ironia em torno do caráter monstruoso do envolvido e solucioná-la. Se parte da ironia (o embate entre a cidade calma e o caráter horrendo do crime) é proposital, com várias cenas de paisagens imóveis enquanto se reflete sobre os supostos assassinatos, a outra parte, o excesso, impede que o curta se torne visceral como o título sugere.

Conseguiu-se tirar a polêmica do tema controverso, mas tirou-se também a interatividade que poderia desencadear uma reflexão. O resultado é um filme correto, mas de pouca repercussão. (Bruno Carmelo)

“O Monstro” está no programa Curta o Formato Brasil 3

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