Kinoforum Crítica Curta 2008

Oficina de crítica do 19º Festival Internacional de Curtas-metragens de SP

Festival em Salamanca exibe curtas espanhóis

Domingo, 28 de Setembro de 2008

Entre 22 e 25 de setembro, 20 curtas foram exibidos no Teatro Liceo, em Salamanca, pequena cidade do meio-oeste da Espanha, na programação da IX Semana de Curta-Metragem Espanhol, somente com apresentação de filmes de diretores nacionais.

Antes de as luzes se apagarem, o teatro (transformado em sala de cinema) já fica lotado: afinal, quando o projetor começa a rodar ninguém mais pode entrar — é a regra da casa.
Jovens (entre eles, estudantes de diversas partes do mundo, inclusive do Brasil) e adultos de idades distintas formam o público.

Os ingressos custam 1,20 euro (cerca de R$ 3). E todas as exibições se concentram à noite, sempre às 20h15. Com isso, é mais fácil reunir uma quantidade maior de pessoas, já que todos os filmes se concentram em um mesmo espaço e horário, diferentemente do que ocorre nos grandes festivais, em que a ampla oferta de eventos simultâneos dispersa os espectadores.

Os conteúdos trabalhados, em geral, são voltados para situações cotidianas, o que faz a platéia se identificar com os filmes e aplaudi-los, mesmo sem a presença dos diretores.

Apesar de a maioria dos curtas usar uma linguagem clássica, de mais fácil compreensão, como “A Aventura de Rosa”, em que se fala sobre destino de uma forma descontraída, com interação entre personagem e narrador, houve espaço para experimentações. Uma delas, aliás, muito mal sucedida: “Mensagens de Voz”, que expressa a solidão compartilhada com uma caixa postal eletrônica em cenas lentas com poucos diálogos. (Renata Marins e Roberta Barreira, de Salamanca)

Um certo tom eletrônico

Terça, 9 de Setembro de 2008

Regularmente, nos deparamos com notícias sobre a prisão de traficantes de entorpecentes. Há até um certo sensacionalismo por parte da mídia quando ocorre a captura do “mula” – aquele indivíduo que arrisca a própria vida ao ingerir tóxicos para, mais tarde, entregá-los ao receptor –, cuja fotografia é estampada na primeira página dos jornais. Mas dificilmente sabemos o que levou essa pessoa a fazer o que fez ou as ramificações de seu ato. São essas as entrelinhas que “Eletrotorpe” resolve contar ao espectador.

O curta começa pelo fim, com uma mulher pedindo carona a um jovem de classe média saindo de uma rave. As histórias de ambos se cruzam no decorrer da trama, de forma indireta. O rapaz, médico do IML, terá de fazer uma autópsia em um bebê que fora seqüestrado, e descobre pacotes de “ecstasy” em seu interior – a “mula” do caso. Ele, já atrasado para a rave, não pensa duas vezes ao embolsar o conteúdo, cedendo à pressão de sua companheira, que o aguarda impaciente na festa.

Sendo a moça do início, a quem ele cede uma carona, a traficante que usurpa do bebê, percebemos o tom moralista que a história traz. O que poderia ser chamado de irresponsabilidade, de ambas as partes, está bem captado na última cena, em que tanto a traficante fugitiva quanto o usuário andam lado a lado no carro, mostrando que os fins justificam os meios.

A história é, de uma maneira geral, simples. Mas é favorecida pela montagem, que de uma forma eficiente transforma o cotidiano em algo estarrecedor, pela narrativa não-linear. O que chama a atenção é o cuidado com a fotografia nas locações internas, que consegue reproduzir a iluminação desses ambientes festivos. Já nas externas, ocorre até uma mistura de linguagem ficcional com a documental, mostrando os personagens em uma rave verdadeira; ao dançarem no pulsar da trilha – obviamente eletrônica –, nos embalam com suas ações e reações. (Marcelo Santos Costa)

“Eletrotorpe” foi exibido na Mostra Brasil 9.

Encontro às escuras

Quinta, 4 de Setembro de 2008

O cinema de que trato é o cinema da certeza do encontro. A dúvida não é se o grande amor existe, mas de que forma se tornará imagem.

O exercício é enfrentado em “Engano”, de Cavi Borges, e “Noturno”, de Martín Deus e Thiago Carlan. Lançar mão de um olhar perspicaz sobre a vivência jovem do novo século – ainda que imersos em propostas que não se fazem pretensamente inovadoras – renova o ponto de vista acerca da profundidade emocional de um encontro casual no ônibus que termina num apartamento ou em um engano de telefone que mais parece um bilhete premiado. Ambos constroem cosmogonias muito peculiares e que se aproximam uma da outra ao apostar na sutileza e na recusa ao choque. As imagens que nos ofertam, de tão banais, fazem transbordar um maravilhamento com este mundo que reconhecemos como nosso. Imagens tão reais que nos permitem gozar de um romantismo tão “démodé” para nossos tempos tão fluidos. Mergulhados nessa fluidez os personagens estão: seja na virtualidade da linha do celular ou na efemeridade de uma conversa depois do sexo com um estranho nem tão estranho assim.

Instiga perceber que somos, assim como aqueles na tela, capazes de nos relacionar com o outro que nunca vimos, mas que podemos querer sentir. Essa forma de encontro, a mais inesperada, também é a mais plausível. Nossos heróis só estão em uma procura porque sabem que já acharam.

Um pouco dessa dor de ser tão jovem e tão vivo é um pouco da dor sentida pelo protagonista de “Esboço para Fotografia”, de Bruno Carneiro – se são tantos caminhos possíveis, como não temer não ter escolhido o correto? Virar a próxima esquina significa mudar completamente sua vida. Mas, se continuar reto, quem duvidará que seu grande amor não tropeçará à sua frente? E se atravessar a rua, não me surpreenderia se achasse no chão duas passagens sem volta para Paris. Nenhuma aposta é sem dor. Mas por que não se dar, nem que seja por alguns momentos, o prazer daquilo que chamamos acaso mas sabemos que é destino?

Trazer beleza e esboçar a felicidade daqueles que ousaram se encontrar, na fugacidade de uma conversa de três minutos e na eternidade efêmera de um plano-seqüência, é apostar na existência do amor ao primeiro frame. No mínimo, um sorriso logo no primeiro minuto. Que bem sabemos, jovens que somos, se estende para algo mais até mais tarde. (Yuji Kawasima)

“Noturno”, “Engano” e “Esboço para Fotografia” foram exibidos na Mostra Brasil 6, Mostra Brasil 7 e Mostra Brasil 6, respectivamente.

E agora, José?

Segunda, 1 de Setembro de 2008

“Maranhão 66” apresenta-se como uma reportagem jornalística. É um documentário de Glauber Rocha produzido em 1966, dois anos após o golpe militar que depôs João Goulart. Chamado para filmar a “festinha”, Glauber registra a posse de José Sarney no governado do Estado do Maranhão e aproveita para mostrar as profundezas da miséria brasileira, que infelizmente ainda é arrasadora.

Glauber opõe as palavras falsas-declamadas de mais um José, um José político-latifundiário, a imagens de vários Josés, os acometidos pela pobreza. A voz exaltada de Sarney e seu belo discurso não são condizentes com o índice de analfabetismo da região:

“O Maranhão não quer a miséria, a fome, o analfabetismo, as mais altas taxas de mortalidade infantil e de tuberculose, de malária, de esquistossomose, como exercício do cotidiano. O Maranhão não quer e não quis morrer sem gritar. Não quis morrer estático de olhos parados e ficar maltratado, marginal ao progresso, olhando o Brasil e o Nordeste rir, enquanto nossa terra mergulhada na podridão não puder marchar nem caminhar.”

Marchar? Glauber, após o cantarolar de Sarney com as imagens dançantes de crianças em hospitais, lixo acumulado, falta de escola, falta de Tudo e imagens da Fome, entrevista, em um hospital, um doente que não poderia marchar pelo Brasil, José.

“Com chave na mão
Quer abrir a porta,
Não existe porta;
Quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
(…)
Você marcha, José!
José, para onde?”
(Trecho de “José”, de Carlos Drummond de Andrade)

Glauber Rocha se chamava Glauber de Andrade Rocha. Tinha o mesmo sobrenome do poeta. A família Sarney também tem seu sobrenome dominando (a política – hoje, no PMDB). A posse de Sarney, em 1966, marcou o início do domínio político da família Sarney no Estado, interrompido somente em 2006, com a posse do então governador Jackson Lago (PDT) que, ironicamente, também esteve envolvido em casos de corrupção. A filha de José Sarney é, atualmente, a excelentíssima senadora do Estado do Maranhão, mandato de 2003 a 2011. E seu pai é o atual e excelentíssimo senador do Estado do Amapá, mandato de 2007 a 2015.

“De homem para homem, de Deus para Diabo. Se morrer, nasce outro” – trecho do filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), de Glauber de Andrade Rocha.

Com ângulos que lembram a estética de Leni Riefenstahl, a diretora dos filmes de propaganda do NSDAP (Partido Operário Nacional Socialista Alemão, nazista), Glauber filmou Sarney e seus amigos em cima de palanques e a massa cega os aplaudindo: “Muito obrigado, meus amigos” (aplausos) – José Sarney no trecho final do curta em questão.

A política realmente está viva.

Termino essa crítica político-cinematográfica com um trecho de um dos manifestos do diretor de “Maranhão 66”, que provavelmente deve ter esquecido um último seis no nome da obra:

“Onde houver um cineasta, de qualquer idade ou de qualquer procedência, pronto a pôr seu cinema e sua profissão a serviço das causas importantes de seu tempo, aí haverá um germe do cinema novo.”
(“Eztetyka da fome”, Glauber Rocha)

(Camila Alves)

“Maranhão 66” foi exibido em um dos programas da Carta Branca ao Submarino Vermelho.

Brincando de morrer

Segunda, 1 de Setembro de 2008

Lidar com perdas nunca é fácil, ainda mais com um adeus tão doloroso quanto o de um filho. Em “Esconde-Esconde”, o adeus definitivo é por causa da morte e a gente a encara por meio da fotografia da mãe sorrindo para o filho. Um sorriso… Eles se dão tão bem! Até brincam de esconde-esconde.

Uma foto no retrato e vem à tona todo conceito da fotografia em diálogo com a morte.
Coisa de Roland Barthes e da opção, provavelmente, do diretor e/ou diretor de fotografia, em deixar vários planos fixos e com coloração nostálgica: a completa ausência de cor e o absoluto colorido. É a opção pelo preto-e-branco em baixo contraste que acentua a completa ausência do filho e absoluta vontade de que não seja verdade essa definitiva separação.

Com os olhos que permitem compreender, o espectador no final aprecia este filme sob ponto de vista de uma câmera de segurança, um olhar alheio à vida e à morte.
“Esconde-Esconde” foi escrito e dirigido por Álvaro Furloni. O roteiro foi contemplado pelo Projeto Sal Grosso, no qual alguns alunos de universidades de cinema assumiram a filmagem em bitola 16mm. (Camila Alves)

“Esconde-Esconde” foi exibido na Mostra Brasil 8.

Em busca da liberdade

Sexta, 29 de Agosto de 2008

A diretora Ana Gaitán Rocha faz seu público ter uma explosão de sentimentos com “Dramática”.

O leve caminhar da moça vestida totalmente de branco, sem nenhuma expressão em seu rosto e olhar perdido pela cidade, descreve o cidadão brasileiro em busca de algo na sociedade que possa completá-lo.

Caminhar pela metrópole é a maneira que ela encontra para um despertar, e repentinamente contempla-se em um carnaval de rua acompanhada com um rapaz da periferia da cidade.

A trilha sonora envolve a platéia, os olhares se fixam na grande tela e naquele calor humano do carnaval um sorriso surge nos lábios da linda moça de branco — do cidadão brasileiro.

Na multidão carnavalesca, com o calor do corpo a corpo, seu rosto agora resplandece alegria com suas gargalhadas e seu “esfregar” no rapaz da periferia, e por um impulso… Um beijo ardente nos lábios daquele desconhecido rapaz!

Ano após ano a sociedade brasileira vive está realidade: “olhares tristes e perdidos a vagar pelas ruas em busca de maiores alegrias na vida”. Porém no carnaval o desejo carnal aflora e nada mais tem importância além da passageira diversão.

Em paralelo, o curta faz uma reflexão sobre a política sempre presente na história brasileira; nos encontramos em um roteiro que cruza as alegrias da carne e a revolta humana através do senhor em plena praça pública a berrar sobre direitos e politicagem. Ao seu redor, forma-se um círculo de cidadãos que ficam parados, apenas curiosos para ver um “louco” gritando.

Sem perspectivas futuras ou demonstração de garra, o público assiste a uma cena de manipulação, pois naquele momento esta no centro da Praça Pública o casal que se beijava ardentemente, porém agora encontrava-se o rapaz em revolta apontando uma “arma” para a cabeça da linda moça de branco e o “senhor da politicagem” bradava: “atira, atira, atira….”.

Retrato “nu” da sociedade que vive em constantes e momentâneas alegrias, manipulada pelos políticos que mudam rapidamente de posições e opiniões. E o resultado desse “drama brasileiro” é a revolta perdida dos cidadãos descrita na cena final com a linda moça correndo pelas ruas e a gritar, como se clamasse pela liberdade. (Tatiana Redígolo)

O curta “Dramática” está na Carta Branca ao Submarino Vermelho.

Animação nada animada

Sexta, 29 de Agosto de 2008

A palavra “animação” remete à seguinte sensação ou algo parecido com isso: “mas que beleza! Vou assistir a uma animação para dar umas risadas e quem sabe até chorar de tanto rir!”. Quanto engano!

O curta “animado” “El Empleo”, do argentino Santiago ‘Bou’ Grasso, não é nada animado. É um soco no estômago. É um nó na garganta. É um inquietante curta que reflete o mal da atual sociedade.

As imagens e ações falam por si. Não há diálogos, isso não foi necessário. Ouvem-se algumas risadas durante o inicio da projeção, as risadas vêm da platéia, mas logo o silêncio retorna, pois é possível se identificar ou identificar alguém de seu convívio com o personagem principal do curta ou com algum “figurante” que complementa todas as cenas.

A política, o comodismo, a pressão, o capitalismo, o falso interesse, a não comunicação, a não luta, estão ali, na sua frente, sendo retratados em animação! Os afazeres diários, a correria, a falta de intimidade, tudo bem na sua frente! E, no final, o principal torna-se mais uma peça ou “figurante” que completa a cena, como um tapete que complementa uma sala e nada mais! (Tatiana Redígolo)

O curta “El Empleo” esta na Mostra Latino-Americana 3.

Quantas vezes na vida planejamos e nos organizamos para tomar decisões que possam mudar o rumo do futuro? E, quando menos se espera, “coisas” acontecem e é necessário repensar as decisões da vida!

“Café com Leite”, de Daniel Ribeiro, retrata exatamente esse repensar e reorganizar da vida.

Sutilmente, o diretor demonstrar como o ser humano em desenvolvimento e em busca de sua independência se afasta naturalmente da família, chegando ao ponto de não conhecer o próprio irmão que tem como companheiro diário um videogame.

“Café com Leite” faz uma reflexão sobre as fortes e inevitáveis decisões da vida. Porém tudo é muito sutil, leve, calmo e delicado. O espectador pode sentir a dor da perda dos personagens que mais tarde se reflete em mais perdas.

São situações inesperadas que trazem impaciência, dor e mudanças, mas que não é possível evitar. São situações diárias, cotidianas, como café com leite pela manhã, ou antes de dormir. (Tatiana Redígolo)

“Café com Leite” está na Mostra Brasil 1.

O típico filme brasileiro

Sexta, 29 de Agosto de 2008

Estereótipos são freqüentes no universo publicitário e em certo universo ficcional. O filho exemplar, a gostosona burra, o porteiro confuso. Esse tipo de construção de personagens é típico da classificação que a publicidade visa criar para seu público-alvo. Somos todos igualmente únicos. Na publicidade, isso tem seus efeitos “positivos”, pode atingir o consumidor da maneira desejada.

Agora, quando falamos de cinema, é complicado construir personagens baseados em estereótipos. Principalmente pelo índice de realidade que o cinema carrega. É como estabelecer um estereótipo para o “típico filme brasileiro”. Aquele que trata da miséria e da violência de maneira maniqueísta, não aprofunda as contradições existentes no seio da sociedade e estabelece uma visão conformista da realidade. Esse é o caso de “Blackout”, de Daniel Rezende.

O curta conta a história de dois assessores de parlamentares que entram numa sala da Assembléia Legislativa para fumar maconha. Num tom mais para piada do “Casseta e Planeta” do que para um curta-metragem que se propõe a discutir um problema sério do país que é a corrupção, Rezende assume o estereótipo do político corrupto como seu discurso crítico. Além de afastar qualquer reflexão crítica por parte do espectador, esse tipo de construção tende a reforçar o distanciamento da população perante os órgãos de representação da sociedade. Como se fosse inevitável a corrupção na esfera pública, é mais proveitoso cuidarmos de nossas vidas do que nos preocuparmos em garantir transparência nas ações públicas e representantes dignos de serem eleitos.

A utilização do plano-seqüência com a câmera fixa, na maior parte do filme, e sua combinação com o blackout de energia geram uma tensão que se resolve de maneira simplória na explosão do político corrupto. Mais para efeito de impacto do que construção estética, “Blackout” termina reforçando o circo de bizarrices da mídia e disfarçando novamente a piada que o filme é. (Renato Batata)

“Blackout” está na Mostra Brasil 1.

O espaço visto do alto

Sexta, 29 de Agosto de 2008

Para os habitantes das grandes cidades, é difícil perceber a riqueza de acontecimentos presentes nos espaços públicos. Mergulhados no vaivém cotidiano, nunca paramos para observar os pequenos fatos que ocorrem numa praça pública, num parque ou mesmo nas ruas em que transitamos.

“Osório”, curta de Heloísa Passos e Tina Hardy, nos revela esses pequenos acontecimentos que, muitas vezes, testemunhamos sem notar. A princípio, o filme parece tratar de uma história de relacionamento ou um drama conjugal. A expectativa criada nas primeiras cenas indica isso. A garota se arruma, veste um vestido e, quando a câmera se descola do seu apartamento observamos, do alto, os transeuntes da praça General Osório, em Curitiba.

Um garoto jogando bola na chuva, um gari fazendo sua refeição noturna, um travesti apenas de passagem. Tudo filmado de longe, de cima dos prédios, mas em planos próximos; como recortes daquele cotidiano que precisa ser revelado. O enquadramento bem fechado tende a dar importância apenas àqueles personagens anônimos ou aos detalhes do espaço físico da praça.

Nas grandes cidades, as praças públicas perderam espaço e atenção para os shopping- centers e sua oferta de entretenimento. O tempo da praça não existe mais. É nisso que reside a magia de “Osório”, resgatar um tempo que precisamos redescobrir. Como um espectador à distância, observamos esses pequenos acontecimentos sem que sejamos notados. Testemunhamos um tempo que não nos pertence mais.

Além de contar histórias e trazer narrativas para as telas, também é papel do cinema chamar nossa atenção para fatos que de, alguma maneira, deixamos de lado ou não notamos mais. Como escreveu Walter Benjamin, esse olhar perscrutador que seleciona e impõe pode contribuir para aguçar nossa percepção. Um inconsciente que está presente, mas que precisa ser revelado. (Renato Batata)

“Osório” integra a Mostra Brasil 5.